Os dias têm sido assim.
Rápidos e metálicos
numa infusão de sabores letárgicos
psicóticos e fosforescentes.
Inconscientes são os sentidos
que dormem com os dias
e à noite
são a luz amarela de uma sirene.
Desenho os contornos de uma paisagem
real
e realço-lhe toda a vida que contém.
Há música. E ruídos também.
Os céus enchem-se de poeira celeste
e escurece nos tons da pele.
Ferve-me o hino junto a boca
e o vómito é iminente.
Um grito.
Um disparo.
O calor vem de repente.
Injecto os olhos de sangue
e as pupilas dilatam com esplendor.
Absorvo
e devolvo-me ao mar
numa onda sem espuma
nem retorno.
21 Julho 2010 : 21.19


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