3 Maio 2015 : 21.07
domingo, 3 de maio de 2015
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Beno
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quinta-feira, 5 de março de 2015
fechei os olhos para ver melhor
há uma nuvem mais peganhenta que vem engolindo a cidade e alastram-se os incêndios por dentro de nós, reacção mais que óbvia à carência de calor.
15 outubro 2014 : 19.22Graça
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Beno
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
as pessoas correram à praia
treparam rochas
invadiram o mar
por uma partícula que fosse daquela oferenda divinal
que verdadeira maravilha
que explosão celestial
a rebentar por detrás dos navios
encalhados de êxtase
do céu
pendiam castelos de claras
com a enigmática suspensão quando se vira a tigela ao contrário
a ruborescer
inflamados no tom da ameixa acabada de trincar
e a água
uníssona
num só tom de marulhar azul
a estender-se costa fora
no seu marmóreo esplendor
mas nada
nada conseguiu abrandar aqueles segundos de ouro e veludo.
e foi a descer
devagar
toda essa orquestra de luz e brilho e cor
atravessando Nut
desde os olhos da manhã
ao entre-coxas de Héspera
um vislumbre de dia
um crepúsculo mais peganhento
que se demora no seu entardecer
arrastando-se para lá do Mar
de onde todos os sonhos são feitos
sob os olhos de Nyx, a Mãe.
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sábado, 27 de dezembro de 2014
A revelação.
é no momento mais silente da trajectória da Lua
quando os insectos deixam de ser murmuro e sibilos de prata
que o monstro abre as suas asas de noite
e deixa escorrer infinitas línguas aguçadas
a pingar de doce e de mel
e a prender de perto peganhentas estórias vermelhas
a infectar-me dos olhos às mãos
todas as palavras
por menos letras que o seu peso possa ter
é nesse preciso momento em que o segundo demora a avançar
que o sinto a descolar-se de dentro da pele
a ganhar corpo por dentro do meu
e a ser gente mais que eu
a ditar-me penitências desejadas
com os joelhos rubros de prazer
e a boca cheia de ausentes palavras de amor
só sussurros a arranharem-me a garganta
e a uma memória de mim
é nesse preciso momento em que o meu nome se lê de outra forma
que do meu corpo irrompem mais braços
e as costas segregam invisíveis perfumes
sob a vigília atenta de milhares de olhos com dentes
a cobrirem-me de uma cobiça tão leve
e a cristalizarem-me as lágrimas tão pesadas
a envenenarem-me o juízo
e a fazer da ilusão uma vontade deliciosa
e impossível de aguentar
mas nos lábios sempre uma miragem de mar
um brilho uma promessa
porque o peito é quilha forte - dizem -
não foi feito para afundar.
27 dezembro 2014 : 16.53
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Beno
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mas que tristeza da igreja à praia
mas que tristeza no colar das senhoras de luto e de castanho
mas que tristeza nas esplanadas da avenida da secundária
mas que tristeza por dentro e por fora dos carros sem pressa
mas que tristeza nos olhos nunca mais vigilantes dos senhores da rotunda
mas que tristeza nos jardins a florir de crianças
mas que tristeza no choro do sino ao longe
mas que tristeza no farol por acender
mas que tristeza nos assuntos e nas conversas nunca diferentes
mas que tristeza no abraço dos amigos sempre iguais
mas que tristeza na estranheza do seu calor
mas que tristeza a inundar esta terra
quanta tristeza
tanta tristeza a desaguar no Mar.
27 dezembro 2014 : 16.24
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quarta-feira, 27 de agosto de 2014
uma asa adormece no asfalto
só uma e a mais pesada
a prometer-lhe o sonho
de um dia ser céu.
27 Agosto 2014 : 20.09
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Beno
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Revela-te lá um bocadinho, ó habitante da outra face de mim. Deixa-me ver, pelo menos, a forma dos teus olhos, para que no meu olhar haja mais certezas sobre esta volição, em consecutivas explosões, a abalar toda a caixa que sou. Que seja esse o grande desafio, aceito-o, mas muda a maré da Verdade para que tenha mais força. De que me serve a âncora, senão de estorvo, se onde estou é um lugar estagnado?
27 Agosto 2014 : 18.58
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Beno
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domingo, 17 de agosto de 2014
Paixão acústica.
aqui tenho o céu mais azul
e as estrelas
em constelações e galáxias de luz
mais brilhantes
que o brilho nos olhos de um rapaz
mas que olhar
mas que promessa
e quantas palavras a secarem-lhe na boca
e que brilho por ser
que sem darmos conta
foi.
17 Agosto 2014 : 21.01
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Beno
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entre nós o silêncio das guitarras,
a vibrarem-nos as cordas
vocais
e a prender-nos mais
e mais
aos bichos bizarros
que cantam sobre o amor
e o tempo dos cigarros
entre nós o calor e a terra
e o verdadeiro zumbido
das cigarras
as amantes do Estio
as mal-amadas
que segregam lassidão
e a espalham na seara
sob o nome do verão
só depois o azul a estoirar
a inundar-me como água
doce
antes que a dúvida fosse
foice
e me cortasse a vontade
de ter o corpo junto a ti
para libertar a saudade.
17 Agosto 2014 : 18.11
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Beno
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quis deus qu'eu fosse Poeta
para sentir melhor
cada tatuagem
por dentro das pálpebras
com mensagens tão dolorosas
(consequência da clarividência)
de quem absorve demais
e retém demais
em diques ósseos
e fortalezas de pele e músculo
e são milhares os olhos-janelas
a brotarem, a preencherem,
tudo para vigiar o tempo e o mundo
e contar segredos
para dentro
a adivinhar o futuro
com a certeza dos suspiros
de todas as horas
e da vontade de fazer
a acumular no sangue, a espessá-lo,
e a fazer-me encolher
que se rebente de vez
duas a três artérias mais cheias
e mais entupidas
e que me façam das mãos
a nova nascente
só assim as palavras
só assim o mar-virgem
a crescer para sempre
e a inundar inundar
numa onda única
contra a corrente.
14 Agosto 2014 : 21.59
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Beno
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