5 Dezembro 09 : 07.58
sábado, 5 de Dezembro de 2009
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Beno
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quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
Hoje decidi finalmente entregar-te as mãos. Quero que as leias e as guardes para desenhares todos os traços que encontrares. Entrego-tas limpas, como as tuas, quando as vi brilhantes a primeira vez. Mas ainda tenho restos de impurezas subtis agarradas às unhas, que resistem à vontade de as arrancar.
Hoje consegui manter-me erguido para ti e derrubei-O com o medo de voltar a sentir. E sinto. E por isso entrego-te as mãos, numa extensão de tudo aquilo que suporta o meu corpo neste momento. Como se te quisesse segurar também.
Hoje gritei que encontrei o meu tatuador. E tudo à volta começa a cheirar a citrinos.
Espero-te por perto, Romeu.
3 Setembro 2009 : 06.34
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quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Starcrossed.
18 Junho 2009 : 03.46
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sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Trajectórias.
Há músicas que só se podem ouvir em linha recta.
22 Maio 09 : por volta das 3h
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quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Portuguesa Bagabunda.
Encheu os pulmões outra vez e contou-nos a melhor História de todas.
"A todos de Braga: a Alemanha está fechada. Não tem um cigarrinho. Um palhaço, que não sou racista mas vocês nasceram aqui por isso são tripeiros. Aqui faço a lembrança. A Nossa Senhora de Fátima. Tendes fé. Verdade. Vocês foram criados aqui. Não está lá. Verdade ou mentira. Eu tenho que bater às pessoas que merecem. Os sinos da Senhora da Oulibeira. Os sinos da Senhora da Oulibeira. 'Tá aqui a prova. Chau eu vou-me embora mas eu juro que voltarei. Eu confio em vós, vou beber um copo. Ele por não vir ao Piolho jurou falso. Tudo o que está lá é mentira!"
14 Maio 2009 : 01.46
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quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
Beatriz.
E a noite? A noite enlaça nos nossos olhos e faz-nos ver maravilhas.
19 Fevereiro 2009 : por volta das 05h
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quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009
18 Fevereiro 2009 : 01.28
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segunda-feira, 17 de Novembro de 2008
Prelúdio.
A vontade aflorou mais cedo à ponta dos dedos, preenchendo todos os pequenos vasos de um magnetismo diferente. Pesaram-me as mãos.
Foi-me repetido aos ouvidos aquela palavra volátil e aguda. Raspou em cada canto das circunvoluções da cabeça como quem grita "voltei!" e afundou-me os olhos de novo em imagens. Sente-se o corpo a amolecer, numa sonolência viscosa de quem funde as pálpebras contra a vontade. Regressam as músicas que nos reconquistam em marcha triunfal. Perfuram-nos os sentidos e encerram-nos sobre nós próprios. Fechamos.
Suspirei e a vontade foi-se. Mas continuo fechado.
17 Novembro 2008 : 22.20
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quarta-feira, 23 de Julho de 2008
Perene.
Às vezes nem sabemos que os temos. Entranham-se. Alimentam-se do que comemos, respiram-nos o ar. Toda a gente os tem. Toda. Nunca estamos sozinhos. Nunca nos deixam. Zumbem nos ouvidos, ardem na pele, entopem os sentidos. Paralizam-nos, mesmo no grito.- Está tudo bem?
- Sim.
Quase que sentimos vontade de vomitar de tanto nojo, de tanto ódio, de tanto medo. Atacam-nos de repente e mudam-nos as palavras e as imagens e a maneira de pensar. São resíduos do que fomos que deixam queimaduras por dentro.
Às vezes esquecemo-nos que os temos. Somos confiantes e acreditamos nisso. Mentimos. Perdemos a noção de que eles são verdadeiros até se repetirem, eventualmente. Alguns repetem-se. Vício absurdo.
- Mesmo?
- Sim.
Abafamos outra vez todo o pânico, enquanto o deixamos consumir-nos devagar, devagar, devagarinho. Ficamos curtos e mudos até para nós próprios. Não sabemos como nos explicar e vivemos assim.
Acaba por passar com tempo. Até à próxima vez que me lembrar.
- Queres-me contar alguma coisa?
- Não. Estou bem.
Morrem connosco. Na mesma campa, no mesmo caixão, na mesma roupa, na mesma pele, no mesmo sangue. Nem mesmo o último suspiro os deixa sair.
Se imaginarem o silêncio é isso que eles são. Silêncio.
23 Julho 2008 : 04.31
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