sábado, 17 de junho de 2006

"Segue a tua vida, Pedro."


Choveu e chove de novo. Chuva miudínha de água condensada que se desprende do céu e rebenta quando chega ao chão.
Escorre nos telhados e nas vidraças das janelas e nas persianas que se fecharam para a noite. Junta-se em riachos para desaguar num mar qualquer com um novo cheiro a maresia.
As nuvens agitam-se, lá em cima, num corrupio fictício. Também elas têm já destino marcado pelo sopro do vento, que usa hoje um perfume a cidade molhada.
E há veneno em mim para ajudar o coração a seguir também: absinto nas minhas veias para anestesiar a lembrança e inebriar a revolta e paralisar a vontade.
Amanhã será novo dia, recheado de novas horas que seguem atreladas como num comboio sem fim.
Espero não chover amanhã.

17 Junho 2006 : 03.26

3 comentários:

andré disse...

Penso que a intensidade da chuva diminui com o passar dos dias, chegando o tempo em que cessará.
É uma questão de paciencia... e esperança!

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digoeu disse...

e nem que chova,estar cá para assistir ao cheirinho de terra molhada sabe bem!!
;)

Ruy de Villa Real disse...

Segue a tua vida Pedro... ou a vida que te siga Pedro... mesmo que chovas, mesmo que inundes em aguaceiros segue o caminho que constóis ao segundo dum presente que se acolhe para um futuro de que segue a vida Pedro... se não a seguires es passado e vais chover em diluvios de derrotas...