terça-feira, 13 de junho de 2006

Trovoada.


Às vezes gostava de saltar para a rua nestas noites de chuva e trovoada. Gostava de ser relâmpago por um momento: brilhar, morrer e deixar um grito de guerra como memória.
Gostava de subir aos telhados mais altos desta cidade e apanhar todos os raios de luz. Prendê-los a uma imagem, violando a sua natureza dinâmica de antecipar o brilho da manhã por um segundo. Encheria o meu quarto de luzes em tons vermelhos, azuis e arroxeados, as cores do sangue celeste, e voltaria a iluminar os meus sonhos com sombras etéreas e solúveis.
Queria sublimar a minha vontade para não haver mais tempestades em mim. Emendar todos os rasgões dos meus lençóis e limpar as manchas de tinta no coração. Congelar as lágrimas já escorridas e sulcar um sorriso que afastaria o nevoeiro dos meus olhos.
Voltaria a correr e a viajar e a voar e a flutuar pelos momentos não apagados. E ao fim do dia, cairía na cama e sentir-me-ía seguro como uma gota de chuva quando cai numa folha numa manhã de trovoada.

13 Junho 2006 : 03.00

4 comentários:

:: Rui disse...

Olá! Simplesmente fantástico este teu post!
A forma como ecreves encandeia... Talvez seja a tua parte "relâmpago".

tons vermelhos, azuis e arroxeados, as cores do sangue celeste - magnífico!

Falas de coisas que têm bastante importância na minha vida!

..a tempestade vai passar!



Abraço

andré disse...

Nao é esse o objectivo de todos nós? Sermos relembrados, deixar a nossa marca num mundo que está em constante mudança. Nunca saberás se os teus feitos, as tuas atitudes e tudo o que de ti vem, serao relembrados com o passar das décadas, mas penso que poderás afirmar com grande certeza q serás relembrado no coração de todos aqueles q te amaram.

Quanto aos erros cometido... eu tento encarar os meus como acontecimentos positivos, pq tudo depende do sentido que lhes dás. Aos meus olhos, erros sao lições de vida, e tentarei sempre nao por o pé na mesma poça.

[[]]

digoeu disse...

até que fim que o vazio passou!A tempestade é sinal de extrema energia!
belo texto!
;)

Anónimo disse...
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