segunda-feira, 30 de agosto de 2010

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M O m e n t O S
m e n t I R A
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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Anúncio.

O que será que estás a fazer neste momento? Eu acabei de fumar e agora escrevo-te enquanto a Beni dorme aos pés da cama. Será que estás de férias? Ou esperas numa fila de trânsito no regresso a casa? Em que fila de trânsito? Em que carro? Em que casa é que vives? Acreditas que podemos existir mesmo sem existirmos um para o outro ainda? Já conto com vinte-e-dois anos de histórias e estórias mas nunca ouvi nenhuma tua. Nunca me contaste nenhuma, acho eu. Será que já nos vimos? Será que já me viste? Se calhar também me escreves. Escreve-me. E guarda tudo em garrafas vazias. Uma por cada noite sem mim. Eu faço o mesmo por ti.
3 Agosto 2010 : 20.16

terça-feira, 27 de julho de 2010

Porto.

Hoje a noite cresce com o cheiro a incêndio. Deixaram alguma coisa a arder tempo demais. Talvez fossem barcos, ancorados a um porto qualquer que fosse o seu lar. Nem a água soube o que fazer desta vez e eles alastraram-se em braços vermelhos e amarelos num abraço de calor. Chegaram a nós no perfume do incenso que são. E levam-nos na mesma a viajar. Onde as estrelas são mais que poeira e o chão é feito de sonhos reais. Fechamos os olhos e estamos lá. Sem remos nem outras seguranças. Sem água. Sem ar. Só nós, feitos de madeira, com as proas aguçadas e corajosas, e transportamos as vontades de ser mais que isto. Não há velas nem mastros, apenas quilhas pesadas e âncoras para sabermos parar. Um dia, também nós podemos arder, quando nos deixarmos consumir a nós próprios, e pode ser que alguém queira viajar naquilo que sempre fomos, água e ar, sem madeira nem cascos vigorosos. Nós somos onde os outros viajam. Permitimos-lhes as viagens que nos deixam marcas na passagem. Nós permitimos. E apesar de todos os gritos e de todas as horas atrás da janela não condeno a minha natureza.
Hoje a noite cresce com o cheiro a mar. Talvez hajam barcos à deriva à espera de um porto seguro. Oxalá a maré esteja a favor.

27 Jul 2010 : 22.17

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Dissolvo-me em arrepios. Abro os olhos e deixo-as sair. Hoje não dá para dizer que não. Se ao menos soubesse como desatar os nós que fui fazendo ao coração. Se ao menos permitisse alguém de o fazer por mim. Sinto as vontades novamente a aflorar à pele, em gritos aguçados de raiva. E eu deixo que me comandem, numa submissão absurda à minha racionalidade.
Hoje não dá para dizer que não. As fotografias corroem-me as pálpebras em memórias demasiado pesadas para partilhar só com a minha cama. Por isso deslaço-me de mim mesmo, para me atar da mesma forma antes que alguém perceba.
14 Junho 2010 : 19.51

terça-feira, 8 de junho de 2010

Poesia vespertina.

apetece-me fumar
fumar excessivamente
e afundar os meus pulmões
em secreções e fumos espessos
apetece-me alastrar epidemias pelo corpo
e deixar o cansaço escorrer até aos pés
abrir fendas profundas
nos olhos
e perder a orientação do real
hoje o dia está em sintonia comigo
ou então fui eu que me sintonizei com ele
aborrece-me a monotonia das rotinas
ao menos que chova
de vez
dói-me
a cabeça
8 Junho 2010 : 17.25

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Em rotação.

A terra gira em torno do seu eixo a uma velocidade aproximada de 465 m/s e nós não sentimos nada. Será que nós também rodamos sobre nós próprios e só percebemos isso mais tarde?
20 Maio 2010 : 01.48

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Não merece título.

Não há luzes. E por mais que seja a vontade, deixo sempre que me escureçam os olhos. Fico preto e fechado. Condenso-me. Altero os sentidos e deixo-os aguçados. E sinto mais, numa pureza pegajosa de quem esperou por esta vez. Não quis que acontecesse. Aconteceu.
Espero que o corpo volte a mim. Ou que eu desça sobre o meu corpo.
5 Maio 2010 : 07.33

sábado, 3 de abril de 2010

Não és homem, não és nada, se saltares.
Saltei !
3 Abril 2010 : 18.57

Outras astronomias.

Dentro de nós existem outros sistemas solares muito mais complexos que o que conhecemos. Têm vários centros de gravidade e a sua normalidade baseia-se no caos. Os corpos celestes são atraídos por inúmeras forças e alguns chegam mesmo a colidir ou rebentarem. No entanto, há sempre uma poeira, vestígio de algo que foi e que não deixa de o ser, que interfere na mesma com a função de todas as coisas, por mais microscópico que seja o seu tamanho. Habituamo-nos a reconhecer apenas o que é visível e nos tapa a visão e não percebemos o impacto de todos esses restos de ideias, projectos inacabados e coisas e coisinhas que vamos acumulando num cantinho escondido da nossa cabeça até se manifestarem no seu esplendor em magníficas auroras boreais que nos encantam. Lentificam-nos as vontades ao ponto de não existirem e passamos a ser frios (mais frios que qualquer vento roxo ou cigarro por acender). Deixamos de ter estrelas nos olhos e outras explosões cósmicas que nos incendeiam os dias e mergulhamos no buraco negro das rotinas, que nos fazem derivar num espaço anti-gravitacional onde acreditamos não ter outro destino que não o fim.
A verdade é que ainda não existe nenhum caminho marítmo para a Lua, mas não foi isso que nos impediu de lá chegar.
3 Abril 2010 : 06.34

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Latência.

Os sonhos marcam-me a carne com o vício. E por dentro das pálpebras, escondo as tatuagens de sangue das minhas vontades que não me deixam parar de sonhar.

1 Abril 2010 : 04.14