domingo, 30 de julho de 2006

Coimbra b - Campanhã.


Não estou. Voltei às descobertas de novos campos de milho e às rotas dos caminhos de ferro. O comboio levou-me por caminhos oxidados pelo sal, ainda com o cheiro da espuma do mar. Foi de manhã e o sol desenhou-me um sorriso rebelde na cara.
Preenchi mais uma casa e descobri-te o corpo num beijo violento. Misturamo-nos até à exaustão. Vezes sem conta, vezes demais. Restam agora as marcas e as pulseiras que trocamos.
Parti de novo, de regresso a casa. O comboio chega ao fim da linha. O sol quase funde com o Douro e agora sou eu que lhe desenho um sorriso. Agradeço-lhe e dou mais um passo em frente.

28 Julho 2006 : 20.04

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Ó Férias!! (ou "EXAMES, EXAMES, EXAMES!!")

Como é bom ainda ter que estudar para o exame de Química.
A ansiedade quase (atenção, quase) que me sai dos poros por tanta vontade que eu tenho em pegar nos 3 volumes que tenho que decorar... E ainda há quem diga que vida de estudante não é lixada ('fodida', como manda o nosso rico calão).
Quatro já foram (Português, Biologia, Matemática e Psicologia) e agora vem o mais tramado, também específica para um curso qualquer que penso que vou seguir.
Não há nenhuma alma caridosa que me queira raptar e levar-me para um sítio isolado em plena Índia?... Por favor?

Ai ! Quando me apanhar de férias nem sei o que vou fazer...

domingo, 2 de julho de 2006

O último dia.

Amanhã já sou um 'menino crescido', um 'homenzinho', e nem sequer sei o que quero ser quando for grande.

Ahahahahah !



Fotografia tirada hoje durante o meu banho-reflexão, ainda como "criança" de 17
anos.


sábado, 17 de junho de 2006

"Segue a tua vida, Pedro."


Choveu e chove de novo. Chuva miudínha de água condensada que se desprende do céu e rebenta quando chega ao chão.
Escorre nos telhados e nas vidraças das janelas e nas persianas que se fecharam para a noite. Junta-se em riachos para desaguar num mar qualquer com um novo cheiro a maresia.
As nuvens agitam-se, lá em cima, num corrupio fictício. Também elas têm já destino marcado pelo sopro do vento, que usa hoje um perfume a cidade molhada.
E há veneno em mim para ajudar o coração a seguir também: absinto nas minhas veias para anestesiar a lembrança e inebriar a revolta e paralisar a vontade.
Amanhã será novo dia, recheado de novas horas que seguem atreladas como num comboio sem fim.
Espero não chover amanhã.

17 Junho 2006 : 03.26

terça-feira, 13 de junho de 2006

Trovoada.


Às vezes gostava de saltar para a rua nestas noites de chuva e trovoada. Gostava de ser relâmpago por um momento: brilhar, morrer e deixar um grito de guerra como memória.
Gostava de subir aos telhados mais altos desta cidade e apanhar todos os raios de luz. Prendê-los a uma imagem, violando a sua natureza dinâmica de antecipar o brilho da manhã por um segundo. Encheria o meu quarto de luzes em tons vermelhos, azuis e arroxeados, as cores do sangue celeste, e voltaria a iluminar os meus sonhos com sombras etéreas e solúveis.
Queria sublimar a minha vontade para não haver mais tempestades em mim. Emendar todos os rasgões dos meus lençóis e limpar as manchas de tinta no coração. Congelar as lágrimas já escorridas e sulcar um sorriso que afastaria o nevoeiro dos meus olhos.
Voltaria a correr e a viajar e a voar e a flutuar pelos momentos não apagados. E ao fim do dia, cairía na cama e sentir-me-ía seguro como uma gota de chuva quando cai numa folha numa manhã de trovoada.

13 Junho 2006 : 03.00

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Empty.





Something has left my life
And I don't know where it went to
Somebody caused me strife
And it's not what I was seeking

Didn't you see me didn't you hear me
Didn't you see me standing there
Why did you turn out the lights
Did you know that I was sleeping

Say a prayer for me
Help me to feel the strength I did
My identity has it been taken
Is my heart breaking on me

'Cos my plans they fell through my hands
They fell through my hands on me
All my dreams it suddenly seems it suddenly seems
Empty




Empty - The Cranberries

quarta-feira, 24 de maio de 2006

.

Não é o coração, nem a tua voz, nem mesmo a minha cabeça. São os meus olhos que se partem em infinitos cristais, reflectindo a tua fotografia, rasgada, que mantinha na cabeça.
Bem sei que colhi mais maçãs do que tu, mas as que colheste são fruto de um segredo não prometido. O teu silêncio foi, para mim, muito mais doloroso do que o grito que agora me sai pelos ouvidos.
E dói. Eu sei que dói. Mas dói mais saber em atraso do que o arranhão das palavras que te saíram. Gritaste-me que já não somos um só, porque se o fossemos não haveriam silêncios guardados numa outra caixinha.
Por isso, agora dói.

24 Maio 2006 : 02.38

segunda-feira, 17 de abril de 2006

Viagem.

Comecei uma viagem. Acho que acabei por abandonar as árvores do meu jardim para descobrir um deserto. Os cigarros e a Lua são a minha única bagagem, e um mapa qualquer, desenhado por mim num momento de euforia. Onde estou, não sei. Perdi-me algures na esperança de me encontrares. Já nem oiço o teu nome como gotas de chuva no coração. Por estes lugares não chove. Há uma luz de um sol qualquer e as nuvens só dentro de mim.
Sou um forasteiro. Um pirata de novos corpos, sedento e implacável no seu desejo. Acho que voltei a nascer: mais frio, sozinho, viciado num jogo onde lanço sempre os dados. E o acaso é a minha sorte.
Sei lá eu em que corpo cresci. Já não é o mesmo que tocaste. Muda todas as noites, numa metamorfose constante. E seduz-me. E a cada dia que passa, são menos as palavras que me deixa escrever.

17 Abril 2006 : 05.50

segunda-feira, 3 de abril de 2006

O início.

MortevidaviversofrercairfugirsaltarberraramigosalegriafantasiaamizadebondademaldaderacismopreconceitorepugnânciadespresoguerramilitarpátriabandeirahonranobrezaazulcéuparaisoDeusanjosasaspássaropombapazfelicidadeamorpaixãocoraçãonamoradosbeijosternuradoçuradocelojacomprasdinheiroricopobresujoruapasseiopassearsapatospéspernascorpodoençamédicoprofissãofaculdadeescolatestesnervosataqueterrerorismopânicogritarouvirpensarreflectirescrever.

Escrito por mim com 13 ou 14 anos, sem saber que seria o início de um vício.


Sejam bem-vindos ao meu blog.