7 Outubro 2006 : 18.55
domingo, 8 de outubro de 2006
Ti Maria
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Beno
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sábado, 30 de setembro de 2006
Gaivota que voas.
Nessa escuridão insuportável,
Chamo por ti, mas minha voz não soa
Perde-se, no sempre irrevocável.
Tuas penas brilham como estrelas
Na calada da noite reluzindo.
Exalto-me, mas não consigo vê-las.
Como os ventos, vais daqui fugindo.
A noite chama-te e eu também.
Quero-te aqui, mesmo ao meu lado.
Se estiveres aqui jamais me magoas.
Foges com quem te seduz e contém,
Mas vais voltar porque ouvi no fado.
Quero-te aqui, gaivota que voas.
1 Maio 2004
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Beno
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quarta-feira, 20 de setembro de 2006
Vómito.
Cheguei ao lavatório. Vomitei. Gritei aquela merda toda para fora. O álcool que me violava a vontade. As drogas que me deixavam tão leve e confiante. Lambi os lábios e eram tão doces. Senti um braço a puxar-me e não percebi a sequência que se passou a seguir. Uma língua lambia-me os restos do vómito ainda nos dentes e eu nem percebi quem era. Um sorriso.
Olhei-me ao espelho e vi-me enevoado entre as lágrimas do esforço ao vomitar. Bebi um pouco de água e molhei a cara. Estava pronto para preencher os meus poros de música e suor. Saí triunfante e já encarava melhor os apelos: reagia às mãos que me tocavam; respondia aos sussurros; encerrava os sorrisos num beijo. Toda a gente o fazia. Toda a gente era uma só. Por isso dancei e gritei de euforia e desejei nunca mais parar de rodar.
Silêncio. Só uns olhos verdes e um beijo escuro e doce. Desta vez não era a minha boca que tinha esse sabor. Senti o meu corpo parar e só ouvia o barulho das nossas línguas. Aquele beijo. Tão suave e cuidadoso, como se fosse um crime. E não sei se foi de mim, mas senti-o tão lentamente. Lento, lento, lento. "Sentes-te melhor?". Aquela pergunta pareceu-me absurda, mas gostei de a ouvir. Acenei com a cabeça porque não conseguia articular as palavras na boca. As misturas deixam este efeito em mim.
Na minha cabeça começaram-se a fundir as texturas e as cores de um mundo escondido, clandestino. A sua promiscuidade escarnada agoniou-me. Senti-me a afundar e creio que os meus olhos escureceram. Senti um suor gelado que me preocupou. Vomitei. Estava mais limpo agora e com medo de outra noite assim. No entanto, prometi-me que voltaria a encontrar aqueles olhos verdes.
20 Setembro 2006 : 4.16
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Beno
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terça-feira, 5 de setembro de 2006
Esquizofrenia.

As danças esquisistas de voltas e mais voltas. Os olhares agressivos de tanto vício que provocam. Os reflexos fictícios num espelho mal quebrado. Os silêncios num pânico mal resolvido. Um copo de sangue prestes a ser saboreado. O sabor a um Porto delicioso junto a cabeceira da cama. Um corpo imaginado que se constrói ao fechar dos olhos. O toque arrependido das minhas unhas roídas. A transformação da tua cara numa poça de cartas rasgadas. Uma caixa aberta sem segredos a revelar. A viagem para longe. A vontade de não ficar. Um cigarro oferecido num sacrifício divinal. O trago de uma lágrima azedada pelo tempo. O enjoo das noites sem estrada nos pés. O fumo da manhã que me tapa a casa. As fugas que deixam saudade. A promessa do regresso. O desejo de cumprir. Os perfumes nos cabelos. A luz que me lava os pés descalços. As portas fechadas por palavras de ofensa. O encontro dos lábios no escuro. O álcool nos teus dentes. As nossas roupas com cheiros iguais. O coração que nem sabe o que pensa. A raiva num grito que inunda o meu espaço. A parede onde te encostas. A ausência de protecção no teu abraço. Os sussuros da música nos ouvidos. Um táxi à procura de lugar. Um sorriso apreciado. Um elogio que te dou. Um novo olhar para a Lua. As gargalhas nas cambalhotas na areia. O cheiro da comida que preparas. Um banho frio pela manhã. O meu olhar nos dias de calor. As fotografias das recordações reais. As canetas que perdem a tinta. O convite para entrares. O pedido para existires. O encanto de pintar os lábios. A desilusão de quem não deixa recados. O sinal de saída quando não se quer. O teu jeito de andar. O tropeçar nas escadas. O toque das pedras da rua. O vento quente dos eucaliptos. As sombras de um sonho escondido. As canções que canto sozinho. Uma pancada no peito. A perda dos sentidos. Os cortes nos braços para saber que existo. Uma venda na cara. O desespero do menino perdido. A tua garganta arranhada. A minha mão que se enlaça. O início da sedução. O vinho que se acaba. O texto confuso. As linhas que apagamos quando não sabemos escrever. O fim da alucinação.
5 Setembro 2006 : 1.42
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Beno
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sábado, 12 de agosto de 2006
Mais um.
Já não quero saber dos gritos que adiam a tua fuga, nem quero ouvir notícias do teu regresso. Agarro-me ao que soube melhor de ti e deixo-me inundar de fotografias a preto e branco que guardo junto aos olhos. Estás aqui mesmo quando não estás, mesmo quando não és tu, mesmo quando não sou eu.
Nem sei ao certo o que quero de ti, o quero de nós. Não sei ao certo o que quero. Não sei. Mas há saudade de outros tempos e desejo de acordar num abraço. Acho que o feitiço se virou contra o feiticeiro e desta vez fui eu que me deixei viciar. Teremos de superar para nos sabermos olhar de novo.
Agora vai na tua fuga clandestina. Sim, clandestina, porque nunca permiti a tua ida.
12 Agosto 2006 : 17.28
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Beno
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domingo, 30 de julho de 2006
Coimbra b - Campanhã.

Não estou. Voltei às descobertas de novos campos de milho e às rotas dos caminhos de ferro. O comboio levou-me por caminhos oxidados pelo sal, ainda com o cheiro da espuma do mar. Foi de manhã e o sol desenhou-me um sorriso rebelde na cara.
Preenchi mais uma casa e descobri-te o corpo num beijo violento. Misturamo-nos até à exaustão. Vezes sem conta, vezes demais. Restam agora as marcas e as pulseiras que trocamos.
Parti de novo, de regresso a casa. O comboio chega ao fim da linha. O sol quase funde com o Douro e agora sou eu que lhe desenho um sorriso. Agradeço-lhe e dou mais um passo em frente.
28 Julho 2006 : 20.04
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Beno
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segunda-feira, 10 de julho de 2006
Ó Férias!! (ou "EXAMES, EXAMES, EXAMES!!")
Como é bom ainda ter que estudar para o exame de Química.
A ansiedade quase (atenção, quase) que me sai dos poros por tanta vontade que eu tenho em pegar nos 3 volumes que tenho que decorar... E ainda há quem diga que vida de estudante não é lixada ('fodida', como manda o nosso rico calão).
Quatro já foram (Português, Biologia, Matemática e Psicologia) e agora vem o mais tramado, também específica para um curso qualquer que penso que vou seguir.
Não há nenhuma alma caridosa que me queira raptar e levar-me para um sítio isolado em plena Índia?... Por favor?
Ai ! Quando me apanhar de férias nem sei o que vou fazer...
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Beno
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domingo, 2 de julho de 2006
O último dia.
Amanhã já sou um 'menino crescido', um 'homenzinho', e nem sequer sei o que quero ser quando for grande.
Ahahahahah !

anos.
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Beno
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sábado, 17 de junho de 2006
"Segue a tua vida, Pedro."

Choveu e chove de novo. Chuva miudínha de água condensada que se desprende do céu e rebenta quando chega ao chão.
Escorre nos telhados e nas vidraças das janelas e nas persianas que se fecharam para a noite. Junta-se em riachos para desaguar num mar qualquer com um novo cheiro a maresia.
As nuvens agitam-se, lá em cima, num corrupio fictício. Também elas têm já destino marcado pelo sopro do vento, que usa hoje um perfume a cidade molhada.
E há veneno em mim para ajudar o coração a seguir também: absinto nas minhas veias para anestesiar a lembrança e inebriar a revolta e paralisar a vontade.
Amanhã será novo dia, recheado de novas horas que seguem atreladas como num comboio sem fim.
Espero não chover amanhã.
17 Junho 2006 : 03.26
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Beno
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terça-feira, 13 de junho de 2006
Trovoada.
Às vezes gostava de saltar para a rua nestas noites de chuva e trovoada. Gostava de ser relâmpago por um momento: brilhar, morrer e deixar um grito de guerra como memória.
Gostava de subir aos telhados mais altos desta cidade e apanhar todos os raios de luz. Prendê-los a uma imagem, violando a sua natureza dinâmica de antecipar o brilho da manhã por um segundo. Encheria o meu quarto de luzes em tons vermelhos, azuis e arroxeados, as cores do sangue celeste, e voltaria a iluminar os meus sonhos com sombras etéreas e solúveis.
Queria sublimar a minha vontade para não haver mais tempestades em mim. Emendar todos os rasgões dos meus lençóis e limpar as manchas de tinta no coração. Congelar as lágrimas já escorridas e sulcar um sorriso que afastaria o nevoeiro dos meus olhos.
Voltaria a correr e a viajar e a voar e a flutuar pelos momentos não apagados. E ao fim do dia, cairía na cama e sentir-me-ía seguro como uma gota de chuva quando cai numa folha numa manhã de trovoada.13 Junho 2006 : 03.00
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Beno
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