Voltou de novo. E com ele as noites que não durmo. Agonio em suores viscerais quando volto a pensar nele: aquele sentimento que me corrói a cada noite que passo sem ti.Ardem-me os olhos no esforço de te imaginar a dormir ao meu lado, vício masoquista que ganhei ao longo da vida sempre que me apaixono outra vez. E sangram-me os lábios e as unhas no trabalho de te moldar nos lençóis. Bem sei que não estás (nem vais estar).
Pareces estar sempre do outro lado do mundo, mas é quando me sorris que te sinto mais perto. Abalas a sensação de sonho impossível quando me falas ou me dás a atenção que estou sempre à espera e, no entanto, é quando mais me dói, porque caio a seguir.
Deixa-me ser teu numa noite de embrieguez alucinogénica, onde o vício do teu corpo te possa viciar no toque dos meus lábios. Desespero enraivecido de alguém que te quer amar. Vamo-nos afogar, deixar diluir esta droga, e aproximar num abraço irrepetível. Deixa-me ser do teu sangue para que possas provar o sabor do meu.
Protege-me outra vez, sem recusas ou preconceitos. Olha-me por entre eles todos e deixa-me ler-te a cabeça. Chora por mim, mesmo que ninguém veja ou saiba. Grita pelo meu nome sempre que te sentires fora de casa: o meu peito é abrigo para ti e para o sentimento que deixaste a crescer desde o primeiro dia que me voltaste as costas.
30 Novembro 2006 : 03.36








