domingo, 3 de dezembro de 2006

Voltou de novo.

Voltou de novo. E com ele as noites que não durmo. Agonio em suores viscerais quando volto a pensar nele: aquele sentimento que me corrói a cada noite que passo sem ti.
Ardem-me os olhos no esforço de te imaginar a dormir ao meu lado, vício masoquista que ganhei ao longo da vida sempre que me apaixono outra vez. E sangram-me os lábios e as unhas no trabalho de te moldar nos lençóis. Bem sei que não estás (nem vais estar).
Pareces estar sempre do outro lado do mundo, mas é quando me sorris que te sinto mais perto. Abalas a sensação de sonho impossível quando me falas ou me dás a atenção que estou sempre à espera e, no entanto, é quando mais me dói, porque caio a seguir.
Deixa-me ser teu numa noite de embrieguez alucinogénica, onde o vício do teu corpo te possa viciar no toque dos meus lábios. Desespero enraivecido de alguém que te quer amar. Vamo-nos afogar, deixar diluir esta droga, e aproximar num abraço irrepetível. Deixa-me ser do teu sangue para que possas provar o sabor do meu.
Protege-me outra vez, sem recusas ou preconceitos. Olha-me por entre eles todos e deixa-me ler-te a cabeça. Chora por mim, mesmo que ninguém veja ou saiba. Grita pelo meu nome sempre que te sentires fora de casa: o meu peito é abrigo para ti e para o sentimento que deixaste a crescer desde o primeiro dia que me voltaste as costas.

30 Novembro 2006 : 03.36

domingo, 15 de outubro de 2006

It's raining again.


I'm not coming home tonight. I've lost myself somewhere out while I was hurting my eyes with tears. Sweet selfishness that owns me everyday and keep me loocked inside my mind. And I'm alone now, I know. I try to find something more brighter than the Moon but it's your name that appears all the time. I don't even know you. My body claims your kiss, your touch, but there's only this empty sensation of madness.
Don't hung up on me. Call me later when you're almost asleep. I need a refuge. I'm homeless now and my feet can't bring me back. Run to me, wherever you are, and clean up my mind to paint your own hands on it.
I'm using the rain's perfume so it's easy to find me. There's to much acid in my blood and my heart is boiling. Hurry up and save me from this wonderland. I'm blind. I think I'm drowning in my own desires and my eyes became darker. I've been caught in a maze and probably you're the only one who knows the way out.
Don't be late tonight or I'll be dead before sunrise.
15 Outubro 2006 : 23.23

domingo, 8 de outubro de 2006

Ti Maria



Humilhou-me. Senti-me pequeno com a história da sua vida, tão grande comparada com a minha. Lembro-me de me arrepiar com os seus sorrisos naquela madrugada gelada. Não tinha frio e sentia-se tão bem perto de nós. Rebentou-se num fado angustiado onde gritava num sussuro todo o mal que lhe fizeram. Mas sorria, apesar de tudo. Levanta-se cedo, mesmo antes de me deitar, para começar mais um dos seus dias atarefados, e trata da vida de mil e um jazigos, de mortos que nem são os seus. Na cara tinha a marca de todos os dias e as mãos, grossas dos trabalhos, não tinham cor. Os cabelos eram brancos e quebradiços. Os olhos... Os olhos eram pequenos, gastos, de uma cor vazia e difusa, mas cheios de todas as suas histórias e aventuras de 89 anos. Vestia-se de preto, com um xaile a tapar-lhe as costas, e trazia os sapatos na mão esquerda, para aliviar os pés dos esforços e sentir melhor a terra. Talvez fosse do sol a nascer por trás, mas ela brilhava num esplendor divino. Um anjo, quem sabe, que me mostrou o meu egocêntrismo encerrado num telhado de vidro e me agoniou de tão macabra que era a verdade. Arranhou-me a sua humildade no contraste com as minhas mentiras fúteis e possíveis desilusões. E tive o descaramento de chorar uma lágrima quando ela desabou todo aquele oceano em nós. Agora não sei onde é que ela está. Talvez a tratar das vidas que não é a sua, mas sei que à noite ela volta para a sua casa escondida entre as outras e adormece sempre com o sonho de ir viver para a casa da sua filha.
Obrigado Ti Maria.

7 Outubro 2006 : 18.55

sábado, 30 de setembro de 2006

Gaivota que voas.



Gaivota branca que não voas à toa
Nessa escuridão insuportável,
Chamo por ti, mas minha voz não soa
Perde-se, no sempre irrevocável.

Tuas penas brilham como estrelas
Na calada da noite reluzindo.
Exalto-me, mas não consigo vê-las.
Como os ventos, vais daqui fugindo.

A noite chama-te e eu também.
Quero-te aqui, mesmo ao meu lado.
Se estiveres aqui jamais me magoas.

Foges com quem te seduz e contém,
Mas vais voltar porque ouvi no fado.
Quero-te aqui, gaivota que voas.
1 Maio 2004

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Vómito.


Mais uma vez. Corri como pude para o quarto de banho. As minhas pernas mexiam-se mil vezes mais devagar que as batidas do meu coração nos ouvidos. E as pessoas. Não percebiam o que se estava a passar? Agarravam-me, sussurravam-me, sorriam-me.
Cheguei ao lavatório. Vomitei. Gritei aquela merda toda para fora. O álcool que me violava a vontade. As drogas que me deixavam tão leve e confiante. Lambi os lábios e eram tão doces. Senti um braço a puxar-me e não percebi a sequência que se passou a seguir. Uma língua lambia-me os restos do vómito ainda nos dentes e eu nem percebi quem era. Um sorriso.
Olhei-me ao espelho e vi-me enevoado entre as lágrimas do esforço ao vomitar. Bebi um pouco de água e molhei a cara. Estava pronto para preencher os meus poros de música e suor. Saí triunfante e já encarava melhor os apelos: reagia às mãos que me tocavam; respondia aos sussurros; encerrava os sorrisos num beijo. Toda a gente o fazia. Toda a gente era uma só. Por isso dancei e gritei de euforia e desejei nunca mais parar de rodar.
Silêncio. Só uns olhos verdes e um beijo escuro e doce. Desta vez não era a minha boca que tinha esse sabor. Senti o meu corpo parar e só ouvia o barulho das nossas línguas. Aquele beijo. Tão suave e cuidadoso, como se fosse um crime. E não sei se foi de mim, mas senti-o tão lentamente. Lento, lento, lento. "Sentes-te melhor?". Aquela pergunta pareceu-me absurda, mas gostei de a ouvir. Acenei com a cabeça porque não conseguia articular as palavras na boca. As misturas deixam este efeito em mim.
Na minha cabeça começaram-se a fundir as texturas e as cores de um mundo escondido, clandestino. A sua promiscuidade escarnada agoniou-me. Senti-me a afundar e creio que os meus olhos escureceram. Senti um suor gelado que me preocupou. Vomitei. Estava mais limpo agora e com medo de outra noite assim. No entanto, prometi-me que voltaria a encontrar aqueles olhos verdes.


20 Setembro 2006 : 4.16

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Esquizofrenia.


As danças esquisistas de voltas e mais voltas. Os olhares agressivos de tanto vício que provocam. Os reflexos fictícios num espelho mal quebrado. Os silêncios num pânico mal resolvido. Um copo de sangue prestes a ser saboreado. O sabor a um Porto delicioso junto a cabeceira da cama. Um corpo imaginado que se constrói ao fechar dos olhos. O toque arrependido das minhas unhas roídas. A transformação da tua cara numa poça de cartas rasgadas. Uma caixa aberta sem segredos a revelar. A viagem para longe. A vontade de não ficar. Um cigarro oferecido num sacrifício divinal. O trago de uma lágrima azedada pelo tempo. O enjoo das noites sem estrada nos pés. O fumo da manhã que me tapa a casa. As fugas que deixam saudade. A promessa do regresso. O desejo de cumprir. Os perfumes nos cabelos. A luz que me lava os pés descalços. As portas fechadas por palavras de ofensa. O encontro dos lábios no escuro. O álcool nos teus dentes. As nossas roupas com cheiros iguais. O coração que nem sabe o que pensa. A raiva num grito que inunda o meu espaço. A parede onde te encostas. A ausência de protecção no teu abraço. Os sussuros da música nos ouvidos. Um táxi à procura de lugar. Um sorriso apreciado. Um elogio que te dou. Um novo olhar para a Lua. As gargalhas nas cambalhotas na areia. O cheiro da comida que preparas. Um banho frio pela manhã. O meu olhar nos dias de calor. As fotografias das recordações reais. As canetas que perdem a tinta. O convite para entrares. O pedido para existires. O encanto de pintar os lábios. A desilusão de quem não deixa recados. O sinal de saída quando não se quer. O teu jeito de andar. O tropeçar nas escadas. O toque das pedras da rua. O vento quente dos eucaliptos. As sombras de um sonho escondido. As canções que canto sozinho. Uma pancada no peito. A perda dos sentidos. Os cortes nos braços para saber que existo. Uma venda na cara. O desespero do menino perdido. A tua garganta arranhada. A minha mão que se enlaça. O início da sedução. O vinho que se acaba. O texto confuso. As linhas que apagamos quando não sabemos escrever. O fim da alucinação.


5 Setembro 2006 : 1.42

sábado, 12 de agosto de 2006

Mais um.


Mais um arranhão. Golpe profundo de uma promessa de fim. Mais um nó mal atado. Talvez melhor assim, facilita o desenlace. Mais um abrigo seguro que se afasta. Alheio a possiveis mudanças.
Já não quero saber dos gritos que adiam a tua fuga, nem quero ouvir notícias do teu regresso. Agarro-me ao que soube melhor de ti e deixo-me inundar de fotografias a preto e branco que guardo junto aos olhos. Estás aqui mesmo quando não estás, mesmo quando não és tu, mesmo quando não sou eu.
Nem sei ao certo o que quero de ti, o quero de nós. Não sei ao certo o que quero. Não sei. Mas há saudade de outros tempos e desejo de acordar num abraço. Acho que o feitiço se virou contra o feiticeiro e desta vez fui eu que me deixei viciar. Teremos de superar para nos sabermos olhar de novo.
Agora vai na tua fuga clandestina. Sim, clandestina, porque nunca permiti a tua ida.

12 Agosto 2006 : 17.28

domingo, 30 de julho de 2006

Coimbra b - Campanhã.


Não estou. Voltei às descobertas de novos campos de milho e às rotas dos caminhos de ferro. O comboio levou-me por caminhos oxidados pelo sal, ainda com o cheiro da espuma do mar. Foi de manhã e o sol desenhou-me um sorriso rebelde na cara.
Preenchi mais uma casa e descobri-te o corpo num beijo violento. Misturamo-nos até à exaustão. Vezes sem conta, vezes demais. Restam agora as marcas e as pulseiras que trocamos.
Parti de novo, de regresso a casa. O comboio chega ao fim da linha. O sol quase funde com o Douro e agora sou eu que lhe desenho um sorriso. Agradeço-lhe e dou mais um passo em frente.

28 Julho 2006 : 20.04

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Ó Férias!! (ou "EXAMES, EXAMES, EXAMES!!")

Como é bom ainda ter que estudar para o exame de Química.
A ansiedade quase (atenção, quase) que me sai dos poros por tanta vontade que eu tenho em pegar nos 3 volumes que tenho que decorar... E ainda há quem diga que vida de estudante não é lixada ('fodida', como manda o nosso rico calão).
Quatro já foram (Português, Biologia, Matemática e Psicologia) e agora vem o mais tramado, também específica para um curso qualquer que penso que vou seguir.
Não há nenhuma alma caridosa que me queira raptar e levar-me para um sítio isolado em plena Índia?... Por favor?

Ai ! Quando me apanhar de férias nem sei o que vou fazer...

domingo, 2 de julho de 2006

O último dia.

Amanhã já sou um 'menino crescido', um 'homenzinho', e nem sequer sei o que quero ser quando for grande.

Ahahahahah !



Fotografia tirada hoje durante o meu banho-reflexão, ainda como "criança" de 17
anos.